Warsaw 1920

Warsaw 1920 – Lenin’s Failed Conquest of Europe” é um livro que trata da vitória polonesa sobre as forças bolcheviques, ocorrida às portas de Varsóvia, entre o final do verão e o início do outono de 1920.

Essa batalha, também conhecida como “O milagre do Vístula”, salvou a Europa oriental, os países bálticos, os Bálcãs e até a recém-derrotada Alemanha, de serem dominados pela emergente Rússia soviética, adiando, portanto, essa dominação por 25 anos.

Tal período de relativa estabilidade e paz permitiu a esses países experimentarem uma época em que floresceram duas situações políticas opostas, a de fortalecimento das instituições e da sociedade civil em alguns e a ascensão de governos totalitários, em outros.

Nas palavras do autor, em certa e generosa medida, as raízes dos sentimentos democráticos e a participação cívica que se verifica hoje, nas regiões da Europa que teriam sido engolfadas pelo gigante soviético, foram produtos das duas décadas de liberdade que puderam desfrutar, graças ao milagre polonês no Vístula.

O renascimento da Polônia

Após a catástrofe produzida pela I Guerra Mundial no continente europeu, as negociações de paz em Versalhes acabaram por redesenhar o mapa do Velho Mundo, em particular em sua porção central e oriental. Novas nações emergiram, como os estados bálticos e a Tchecoslováquia. Para separar a Alemanha da Rússia, foi promovido o renascimento da Polônia, nação que havia sido repartida, ao final do século XVIII, entre Rússia, Prússia e Áustria, tendo desaparecido do mapa.

A Alemanha do Kaiser havia prometido aos patriotas poloneses o restabelecimento de sua nação, ao final da guerra, caso fosse vitoriosa. As forças polonesas, que lutavam incorporadas aos exércitos austro-húngaros e alemães, haviam sido reunidas sob o comando desses últimos, no Polniche Wehrmacht. Nesse interim, um oficial da legião polonesa, que se recusara a jurar fidelidade à Alemanha e encontrava-se preso, é libertado ao final da guerra e, ao voltar a Varsóvia, desarma os alemães e proclama a ressurreição da República Polonesa, sob a sua liderança. Seu nome era Josef Pilsudski.

Josef Pilsudski

O expansionismo bolchevique

Lênin e os que emergiram vitoriosos, após as disputas políticas pelo poder, decorrentes da revolução de outubro de 1917, resolveram formar uma força para atacar os poloneses e, assim, levar a revolução para o leste europeu, os Bálcãs e à combalida Alemanha, acreditando que os operários e camponeses desses países encarregar-se-iam da formação de uma quinta-coluna, que minaria a resistência ao avanço soviético.

Ainda lutando no Cáucaso contra remanescentes das forças brancas de Denikin, Lênin teve de remanejar unidades para o recém criado fronte ocidental, o que forneceu a Pilsudski a oportunidade de se preparar para o ataque e elaborar planos para o enfrentamento aos russos.

O ataque polonês

Ciente de que o dispositivo russo era dissociado em dois frontes, norte e sul, devido ao obstáculo natural materializado pela região pantanosa do Rio Pripet, Pilsudski lança uma ofensiva preventiva com esforço principal sobre o flanco sul do inimigo, em 25 de abril, com o objetivo de capturar Kiev e entregá-la aos aliados ucranianos, para que restabelecessem seu país. Em 7 de maio de 1920, tropas polonesas e ucranianas entram em Kiev.

No entanto, Pilsudski não atingiu por completo o seu objetivo, de aniquilar ou, ao menos, destruir o poder de combate dos dois frontes russos, de modo a impedir o seu ressurgimento como força combatente.

O avanço russo

Apesar das derrotas sofridas em abril e maio, na Ucrânia e na Bielorrússia, os bolcheviques reorganizaram suas forças, alocaram mais tropas e retomaram a iniciativa, em 14 de maio.

No início de junho, após evacuarem Kiev, as forças polonesas, atacadas com vigor pelos exércitos russos, comandados pelo General Tukhachevsky, começam a retrair para seu território. Ao final daquele mês, estavam de voltas às mesmas posições nas quais iniciaram o ataque, a 25 de abril.

O comandante russo, Tukhachevsky, era um retrato do Exército Russo de então, em que se misturavam nobres, ex-integrantes do Exército Imperial, unidades de cossacos, de bolcheviques e outras, remanescentes da Guerra Civil Russa, que costumavam mudar de lado, de acordo com a conveniência do momento.

Tukhachevsky, de apenas 27 anos, tinha origens nobres e havia combatido na Grande Guerra com distinção, até ser feito prisioneiro pelos alemães, tendo escapado da prisão de Ingolstadt em 1917 e voltado para a Rússia. Então, aliou-se a Trotsky e aos bolcheviques, tendo combatido o Exército Branco na Sibéria e no Cáucaso, novamente com distinção. Ao ser designado para comandar o fronte ocidental contra a Polônia, tornou-se o primeiro comandante do Exército Vermelho em uma guerra externa.

A avassaladora ofensiva de Tukhachevsky empurra os poloneses, impedindo-os de estabelecer posições defensivas e obrigando-os a recuar, até que Pilsudski consegue reorganizar suas forças às margens do Vístula, com Varsóvia às costas, para a batalha que sabia ser a final.

Defesas polonesas próximas a Varsóvia

O milagre do Vístula

Na iminência do desastre, os poloneses obstinam-se em defesa de sua capital e da sua nação.

Pilsudski concebeu um plano, pelo qual não apenas salvaria a cidade – e o país – mas, também, destruiria o poder de combate dos russos, selando sua derrota definitiva.

No flanco norte, foi posicionado o “Exército Azul” do General Josef Haller, reunindo o I e V exércitos, com a missão de cobrir Varsóvia por aquela direção, da fronteira coma  Prússia Oriental (Alemanha), até a cidade de Pulawy, no Víistula. A força de Haller deveria fixar os quatro exércitos de Tukhachevsky.

No centro, sob o comando do próprio Pilsudski, foram posicionados o IV exército e o grupo do General Sikorski, de Pulawy a Sokol, que deveriam lançar um ataque contra o flanco dos russos que assediavam Haller e Varsóvia, além de varrer sua retaguarda.

O fronte sul, sob o comando do General Iwaszkiewicz, deveria deter as forças russas que tentariam penetrar as defesas pelo sul, além de defender os campos de petróleo de Lwow e Drohobycz.

Tukhachevsky, por sua vez, concebeu um plano para a conquista de Varsóvia, no qual duas forças deveriam ultrapassar e envolver a cidade pelo norte-nordeste, enquanto dois exércitos atacariam a cidade pelo nordeste, ao mesmo tempo em que outro exército também o faria, a partir de oeste. O general russo previa a conquista da cidade em 14 de agosto.

Os russos atacaram e foram rechaçados. O plano de Pilsudski funcionara. Ao norte, as tropas russas refugiaram-se na Prússia Oriental, para não serem aniquiladas. Foram desarmadas pelos alemães. Em 25 de agosto, a batalha por Varsóvia chegara ao fim.

As tropas russas fugiram em debandada para o leste, sendo perseguidas pelos poloneses. Em 15 de outubro, capturaram Minsk e alcançaram o Rio Berezina, onde haviam chegado, na primavera.

Em16 de outubro, viria o cessar-fogo e, em 28 de março de 1921, russos e poloneses assinariam um acordo de paz, em Riga.

Warsaw 1920

Este livro conta, objetivamente, os antecedentes, os combates e as consequências da guerra entre bolcheviques e poloneses.

Apoiado por mapas que indicam a movimentação das unidades beligerantes, nos cinco momentos distintos do conflito: o ataque preventivo de Pilsudski, a tomada de Kiev, a contraofensiva russa, a batalha de Varsóvia e a perseguição final polonesa aos russos.

Uma curiosidade: alguns atores dessa guerra teriam participação destacada na II Guerra Mundial, iniciada dezenove anos depois.

Stálin, oficial político do fronte ocidental, que não primara pela obediência a Moscou e tomara decisões próprias, que se provaram equívocos desastrosos para os russos, seria o líder absoluto da nação no maior conflito da História.

Tukhachevsky e vários comandantes russos não escapariam ao expurgo do Exército Vermelho, promovido por Stálin, na década de 1930.

Sikorski, Chefe do Estado-Maior do Exército Polonês no exílio, morreria em um acidente aéreo em Gibraltar, durante a guerra. Anders seria o general consagrado em Monte Cassino, à frente dos Corpo Polonês.

Charles de Gaulle, mais tarde presidente da França, era major, integrante da Missão de Observadores Franceses no conflito.

Outra curiosidade: o último choque entre duas forças de cavalaria deu-se nos últimos dias desse conflito.

Vale a pena conferir essa excelente obra:

WARSAW 1920

Adam Zamosyski

William Collins  Books

London – 2014

Disponível apenas no idioma inglês, na AMAZON (Link AQUI)

Warsaw 1920

Deixe um comentário

dezessete − onze =