A Porta dos Leões

O livro “A Porta dos Leões – nas linhas de frente da Guerra dos Seis Dias”, de Steven Pressfield, é um magnífico produto, elaborado a partir dos relatos de combatentes israelenses que lutaram naquele conflito, ocorrido em junho de 1967.

Testemunhas do combate

Em nota ao início da obra, seu autor destaca que não se trata de um relato abrangente da guerra, em seus múltiplos frontes, nem um estudo sobre os aspectos políticos e diplomáticos envolvidos, bem como deixa patente que se trata da reconstrução das experiências vividas por alguns soldados e aviadores de determinadas unidades militares empenhadas em combates, em frontes e situações particulares, durante aquela guerra de curta duração, mas de grande significado para a nação israelense.

A iminência da guerra

O autor apresenta, por meio do relato das personagens a quem o livro dá voz, a atmosfera de guerra iminente sob a qual vivia o pequeno país, durante toda a década de 1960, literalmente cercado por inimigos que ansiavam por sua destruição. Egito, Síria, Jordânia e Iraque enviaram tropas para combater Israel, contando com o apoio de outros sete países muçulmanos, além da OLP – Organização para a Libertação da Palestina.

Por meio das reminiscências do grande líder de Israel à época, Moshe Dayan, o autor revela as expectativas das lideranças políticas e militares, e suas dúvidas e preocupações quanto à intenção de atacá-los de seus inimigos, e a conveniência e possibilidade de um ataque preventivo bem-sucedido, por Israel.

Também aborda, ligeiramente, a falta de apoio internacional a Israel, devido à intrincada teia que o mundo vivia, no contexto da Guerra Fria.

Batalhas pela sobrevivência de Israel

O cerne desta obra são as descrições das batalhas, feitas por pessoas que estiveram em meio a elas, nos três frontes daquela guerra, além dos que combateram no vetor aéreo. Todos tinham a exata noção do que significava aquela luta para o novo Estado de Israel, e que deles dependia sua própria sobrevivência como a nação do povo judeu, de sua crença e costumes.

O leitor poderá sentir-se como um motorista de jipe do Esquadrão de Reconhecimento, deslocando-se à frente da 7ª Brigada Blindada, em pleno Deserto do Sinai, no fronte egípcio.

Também será levado a voar com os caças Mirage e acompanhar seus ataques de surpresa contra bases e instalações inimigas no Egito e na Síria, bem como combates contra Migs inimigos, nos céus do Oriente Médio.

Além da cruel luta no Sinai, entre forças blindadas de Israel e do Egito, o leitor também terá o privilégio de acompanhar a luta urbana dos paraquedistas e a captura da Cidade Velha de Jerusalém, com o consequente e inesperado domínio dos locais sagrados daquela cidadela, em particular do Muro das Lamentações, feito jamais imaginado até o último dia de combates daquela curta e intensa guerra.

No fronte norte, a captura das Colinas de Golã, então em posse da Síria, é relatada por pilotos de helicópteros e pelos paraquedistas que assaltaram as posições árabes naquele sítio, a fim de garantirem a posse daquela estratégica região, antes que um cessar-fogo fosse imposto pela ONU e pelas duas superpotências, EUA e URSS.

Unidades israelenses avançando no Deserto do Sinai

Testemunhos emocionantes

Os relatos dos combatentes, sobre a crueza da luta, com as descrições das emoções vividas ante a batalha, ante a perda de camaradas de armas e à incerteza da vitória, são a alma dessa obra.

Desses relatos, ressaltam-se a crença na justiça da causa pelo qual lutavam, sua fé na capacidade de seus chefes e, sobretudo, o espírito de irmandade que uniam os combatentes das unidades abordadas, que mal tinham tempo para amparar os caídos e chorar suas mortes, dado o caráter dinâmico daquele conflito.

Caças Mirage de Israel em formação de combate

Um livro fundamental

Este não é mais um livro sobre a Guerra dos Seis Dias, mas uma obra que exalta homens e mulheres que serviram a seu país em todos os escalões, do Ministro da Defesa Moshe Dayan ao Comandante de Divisão Ariel Sharon; do Comandante de Batalhão paraquedista ao Comandante do Esquadrão de Helicópteros; do Tenente do Pelotão de Reconhecimento ao Sargento paraquedista; dos soldados motoristas de jipes ao jovem piloto de Mirage.

Este não é apenas um relato de guerra, mas uma história sobre patriotismo, valores inerentes e transcendentes à vida militar. É um livro fundamental para entendermos o que significa a guerra para um país como Israel, e como seus cidadãos encaram o desafio de sobreviver em meio àqueles que desejam sua extinção.

Não deixe de ler:

A PORTA DOS LEÕES – NAS LINHAS DE FRENTE DA GUERRA DOS SEIS DIAS

EDITORA CONTEXTO

São Paulo – 2020

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