“For The Fallen”, ou “Para os caídos”, em tradução livre, é um poema de autoria do Robert Laurence Binyon, publicado no periódico britânico The Times, de Londres, em setembro de 1914, nos primeiros dias da I Guerra Mundial.
Ode aos que pereceram em combate
O poema é uma homenagem aos soldados britânicos da BEF – British Expeditionary Force (Força Expedicionária Britânica), caídos em combate no primeiro grande enfrentamento contra forças alemãs, na Batalha de Mons.
De maneira pungente, o autor exprime, em sete estrofes, a dor pelos jovens que perderam suas vidas nas lutas iniciais da Grande Guerra.
Lembra sua partida, ao som de canções, sua atitude juvenil e resoluta, até jogarem suas chances e caírem encarando o inimigo. Lamenta as vidas perdidas, ao mesmo tempo que evoca suas ausências e o que deixarão de viver. Exalta o seu sacrifício e diz que não serão esquecidos, que permanecerão perenes no céu, como estrelas que brilharão indefinidamente, pela eternidade.
A Batalha de Mons
Travada próxima à homônima cidade belga da Valônia, em 23 de agosto de 1914, essa batalha foi uma tentativa de conter o avanço do I Exército alemão em direção à fronteira francesa.
Em número absolutamente inferior aos alemães e devido ao súbito e não planejado retraimento do V Exército francês, que se posicionava em seu flanco direito, os britânicos da BEF foram forçados a recuar, em que pese terem combatido com determinação e infligido baixas significativas ao inimigo.
Nesse enfrentamento, os britânicos empregaram dois Corpos de Exército, além de uma Divisão e uma Brigada de Cavalaria independentes, em um total de aproximadamente 80.000 combatentes, contra quatro Corpos de Exército e três Divisões de Cavalaria alemãs, que somavam mais que o dobro dos seus eletivos. Houve 1.600 baixas britânicas e mais de 3.000 alemãs.
O recuo britânico, entretanto, prolongou-se por duas semanas e levou a BEF às portas de Paris, onde articulou-se novamente com o Exército Francês, até que, juntos, pudessem deter e contra-atacar, no episódio conhecido como a Batalha do Marne, que salvou a capital francês de cair face aos alemães.
A guerra iria se prolongar por mais de quatro longos anos, sorvendo cada vez mais vidas e exibindo um horror jamais visto, até então.
A fina-flor da juventude britânica, que se voluntariou para lutar por uma causa considerada justa, encontraria a morte, o sofrimento e a desolação nas trincheiras e na terra-de-ninguém de incontáveis localidades, na França e na Bélgica, em confrontos indefinidos que demandariam cada vez mais tropas e que passariam à História como verdadeiros moedores de carne humana.
O poema de Laurence Binyon foi o lamento primeiro e o prenúncio da tragédia que estava por vir para toda uma geração de jovens do seu país.
Até hoje é declamado em cerimônias e memoriais realizados em honra aos mortos naquele conflito.
O autor
Robert Laurence Binyon nasceu em Lancaster, Inglaterra, em 10 de agosto de 1869.
Obteve duas graduações pelo Trinity College, da Universidade de Oxford, na área de literatura e artes, em 1890 e 1892.
Binyon foi um prolífico autor, durante mais de cinquenta anos, tendo escrito incontáveis poemas, peças, duas biografias, vários livros de História da Arte e uma reconhecida tradução de “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri.
De 1915 a 1916, Binyon serviu como voluntário da Cruz Vermelha, em um hospital militar na França.
Após aposentar-se como funcionário do Museu Britânico, em 1933, passou a ministrar palestras em várias universidades pelo mundo, nos Estados Unidos, Holanda, França, Alemanha, Áustria, Itália, Japão, China e Suécia.
Foi casado com Cicely Powell, com quem teve três filhas.
Faleceu em 10 de março de 1943, aos 73 anos.
For The Fallen
With proud thanksgiving, a mother for her children,
England mourns for her dead across the sea.
Flesh of her flesh they were, spirit of her spirit,
Fallen in the cause of the free.
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Solemn the drums thrill; Death august and royal
Sings sorrow up into immortal spheres,
There is music in the midst of desolation
And a glory that shines upon our tears.
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They went with songs to the battle, they were young,
Straight of limb, true of eye, steady and aglow.
They were staunch to the end against odds uncounted;
They fell with their faces to the foe.
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They shall grow not old, as we that are left grow old:
Age shall not weary them, nor the years condemn.
At the going down of the sun and in the morning
We will remember them.
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They mingle not with their laughing comrades again;
They sit no more at familiar tables of home;
They have no lot in our labour of the day-time;
They sleep beyond England’s foam.
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But where our desires are and our hopes profound,
Felt as a well-spring that is hidden from sight,
To the innermost heart of their own land they are known
As the stars are known to the Night;
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As the stars that shall be bright when we are dust,
Moving in marches upon the heavenly plain;
As the stars that are starry in the time of our darkness,
To the end, to the end, they remain.
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