Dien Bien Phu

Dien Bien Phu – derrota no Vietnã” relata o embate final entre os guerrilheiros do Vietminh e as forças francesas pelo domínio do Vietnã, então uma colônia daquele país europeu.

Essa batalha não se tratou, apenas, de uma derrota militar dos franceses, mas representou o próprio fim do império colonial francês na Indochina. Também seria a gênese para a futura intervenção dos Estados Unidos da América na região, que teve consequências catastróficas para aquela potência e que se constituiria em um dos eventos marcantes da história do século XX.

Vitória do Vietminh em Dien Bien Phu – 7 de maio de 1954

A colonização francesa

O livro se inicia com as origens do domínio francês da região continental do sudeste asiático, que remonta a meados do século XIX. Inicialmente, fora uma tentativa de aproximar-se da parte meridional do gigante Chinês, para estabelecer rotas comerciais que dariam à França uma vantagem competitiva em relação à Rússia e à Grã-Bretanha, o que se provaria um equívoco.

Ao final daquele século, toda a Indochina, região integrada por três reinos, o do Vietnã, do Laos e do Camboja, estariam sob o domínio francês.

A estrada para a guerra de libertação

Após uma série de distúrbios ao norte do país, na década de 1930, provocados pelo Partido Comunista Indochinês, fundado por Ho Chi Minh, houve um período de relativa tranquilidade.

No entanto, a Segunda Guerra Mundial viria a se tornar um momento crucial para as pretensões dos nacionalistas vietnamitas. A Indochina foi ocupada pelo Império do Japão, como resultado de sua expansão para a Ásia.

A seguir à rendição japonesa, em 2 de setembro de 1945, houve um vácuo e poder na região, aproveitado por Ho Chi Minh, que proclamou a independência da República Democrática do Vietnã, nessa mesma data.

Contudo, seria um efêmero período de independência. Nacionalistas chineses ocuparam o norte do país e os britânicos, o sul. Em dezembro de 1945, os franceses já controlavam o sul. Em 16 de março do ano seguinte, voltariam a controlar Hanói e o norte do país. Seguiram-se acordos e negociações em Paris, que resultaram no fim das pretensões de independência do país, a curto prazo.

Os franceses retomavam o controle, não sem uma resistência levada a efeito pelo Vietminh, ou Liga pela Independência do Vietnã, de orientação comunista, braço armado do Partido Comunista de Ho, liderada por seu Ministro da Defesa, Vo Nguyen Giap.

Giap e o Vietminh, fundado em 1941, tinham experiência em guerra de guerrilhas, que empreenderam contra os japoneses. Ademais, Giap aprendera sobre guerra revolucionária no QG de Mao Zedong, na China.

A Primeira Guerra da Indochina

A obra nos leva aos primeiros anos da guerra entre o Vietminh e os franceses, travada na região norte do país, conhecida como Tonquim.

Nesses anos iniciais, apesar das baixas francesas, ficariam marcados pela estratégia de Giap em desgastar o inimigo por meio de emboscadas nas estradas, enquanto se fortalecia. Esse período se estenderia até o fim de 1949.

A partir de 1950, contudo, o Vietminh passaria a receber o apoio dos comunistas chineses, que haviam derrotado as forças nacionalistas de Chiang Kai-Shek.

Apesar desse importante apoio, os franceses, após troca de comando, que foi assumido pelo General De Lattre, obtiveram três importantes vitórias sobre Giap, no primeiro semestre de 1951, nas quais conteve as investidas do general Vietminh contra as forças coloniais no delta do Rio Vermelho.

Tais vitórias, entretanto, levaram à necessidade de os franceses completá-las, ao invés de optarem por abandonarem o norte e estabelecerem uma nova linha ao sul do paralelo 17, onde acreditava-se que a população não estaria sob o domínio do Vietminh e que não se oporia ao colonizador.

Ao continuarem com o engajamento com o Vietminh ao norte, os franceses, agora sob o comando do General Navarre, acabaram por cair em uma armadilha, por iniciativa própria. Em novembro de 1953, retomaram um aeródromo no fundo do remoto vale de Dien Bien Phu, próximo à fronteira com o Laos. A ideia era utilizar essa base como apoio a futuras operações, de caráter ofensivo, conforme a concepção de Navarre.

O que não sabiam os generais franceses é que tinham convidado os vietnamitas a travarem a batalha decisiva, e que Giap a aceitaria. Era a oportunidade de realizar uma ofensiva final, que tanto desejava.

Marcha dos derrotados para os campos de prisioneiros

O fim do império

Em seguida, o autor passa a descrever em detalhes a ocupação da base de Dien Bien Phu pelos franceses e o estabelecimento de posições fortificadas, em torno da pista de pouso principal, da pista secundária e barrando as estradas que davam acesso ao dispositivo.

Ao mesmo tempo, narra os preparativos de Giap para cercar a posição francesa e o esforço hercúleo de seus trabalhadores e soldados para posicionar as peças de artilharia nas encostas cobertas por florestas, que circundavam o vale e as defesas de Dien Bien Phu.

Na sequência, são narrados os bombardeios às posições francesas, as tentativas desesperadas de reforçar a defesa, com saltos de paraquedistas e suprimentos sendo lançados pelo ar e os contra-ataques franceses.

Por fim, são descritos os ataques do Vietminh e a conquista sucessiva das posições defensivas francesas, até o assalto final, em 7 de maio de 1954.

Encerrando, o autor relata a rendição da guarnição francesa, comandada pelo recém-promovido General De Castries, a implacável marcha dos vencidos para os campos de prisioneiros e as conversações de Genebra, que puseram fim ao domínio colonial francês na Indochina.

Mostra ,ainda, a melancólica partida definitiva do Corpo Expedicionário Francês da Indochina.

Como todos os livros da coleção “História Ilustrada do Século de violência”, essa obra é repleta de fotografias, que complementam o texto, acrescidas de mapas da área de operações e de ilustrações dos armamentos utilizados.

O autor

Sir John Desmond Patrick Keegan foi um escritor de renome, com mais de 30 obras publicadas, muitas delas traduzidas para o português e editadas no Brasil, por vários editores.

Historiador militar, suas obras abrangem vários aspectos da guerra, cobrindo conflitos distanciados no tempo, da pré-história ao século XXI. Escreveu sobre Inteligência, psicologia da guerra e batalhas em terra, mar e ar.

Foi, também, por 26 anos, professor de História Militar na Real Academia Militar de Sundhurst, que forma os oficiais do Exército do Reino Unido.

John Keegan também exerceu o ofício de jornalista no periódico Daily Telegraph, do qual foi correspondente e editor para assuntos de Defesa.

Em reconhecimento à sua profícua carreira, foi sagrado Oficial da Ordem do Império Britânico, em 1991. Dentre outras honrarias, foi eleito para a Real Sociedade de Literatura, em 1986. Em 1993, foi vencedor do prêmio Duff Cooper e do prêmio Samuel Eliot Morison, em 1996.

Dentre suas principais obras, em português, encontram-se:

– A face da batalha (Bibliex – 2000);

– A máscara do comando (Bibliex – 2009);

– Uma história da guerra (Companhia de bolso – 2006);

– Inteligência na guerra (Companhia das letras – 2006);

– História Ilustrada da Primeira Guerra Mundial (Ediouro – 2005).

– A Batalha e a História (Bibliex – 2006);

– A Guerra do Iraque (Bibliex – 2005); e

– Winston Churchill (Penguin – 2002).

Dien Bien Phu

Dien Bien Phu – derrota no Vietnã” foi lançado, no Brasil pela Editora Renes, em 1979, como o 11° volume da coleção “História Ilustrada do Século de Violência”. Atualmente, pode ser encontrado somente em sebos.

Nessa mesma coleção, a Editora Renes também lançou, do mesmo autor, o título “Agosto de 1914 – irrompe a Grande Guerra”.

Da coleção “História ilustrada da Segunda Guerra Mundial, em português, a Editora Renes publicou, na série “Campanhas”, “Barbarossa – a invasão da Rússia”. Da série “Tropas”, foi publicado “Waffen SS – soldados da morte”.

Conheça essa histórica batalha em detalhes. Confira:

DIEN BIEN PHU – DERROTA NO VIETNÃ

John Keegan

Editora Renes

Rio de Janeiro – 1979

Disponível na ESTANTE VIRTUAL

(Link no nome da editora, acima).

Dien Bien Phu

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