Operation Urgent Fury

Operation Urgent Fury – The Invasion of Grenada 1983” é um livreto de apenas 38 páginas, editado pelo Centro de História Militar do Exército dos EUA.

Trata-se, também, de um extrato do livro “The Rucksack War: US Army Operational Logistics in Grenada, October-November 1983”, que aborda com maior profundidade e abrangência aquele breve conflito, porém complexo e rico de ensinamentos.

A questão de Granada

Ambos os livros versam sobre a invasão da ilha de Granada, ocorrida no final de outubro de 1983. Granada, localizada no Caribe Oriental, é a menor e mais ao sul das Ilhas de Barlavento, distante menos de 200 Km da costa da Venezuela e a cerca de 2.400 Km de Key West, na Flórida.

Convulsionada por disputas internas entre facções comunistas, apoiadas por Cuba e pela URSS, a pequena nação encaminhava-se para vir a se tornar um satélite do regime de Fidel Castro, o que forneceria ao bloco soviético uma nova base de apoio na região, o que representaria uma ameaça à segurança dos EUA, no contexto da Guerra Fria, ora vigente.

Além disso, o caos reinante na ilha colocava em risco centenas de estudantes norte-americanos de medicina, que frequentavam os cursos oferecidos no pobre país caribenho, e que se constituía em uma de suas principais fontes de renda.

As possibilidades de enfrentar uma nova Cuba, como Kennedy, e uma nova crise de reféns, como Carter, causavam preocupações adicionais à administração do então presidente da América, Ronald Reagan, que assumira há pouco mais de dois anos e já enfrentava insurreições patrocinadas pelos comunistas, em El Salvador e na Nicarágua.

Face a todas essas demandas, os EUA optaram pela ação.

O livreto oferece uma visão geral da operação levada a cabo pelas Forças Armadas dos EUA, que permite ao leitor interessado a compreensão das causas que a motivaram, dos principais eventos que a cercaram, da manobra realizada e, sobretudo, das dificuldades de planejamento e execução encontradas.

Teste de combate

Há pouco mais de dez anos da retirada das tropas norte-americanas do Vietnã, a ação em Granada foi uma prova para a nova conformação de suas Forças Armadas, em particular para o US Army, que evoluiu da convocação de cidadãos, necessária durante o conflito do sudeste asiático, para uma força composta integralmente por voluntários.

Também fora um teste para uma máquina militar que vinha de um período de dez anos sem combates, que passara por reorganizações e reestruturações e que vivia uma certa crise  de confiança. A prioridade dada à defesa da Europa Ocidental também drenava os meios e recursos humanos, então. Doutrina, liderança, motivação, equipamentos e capacidade de conduzir operações conjuntas eram incógnitas que precisavam ser provadas.

A ilha de Granada, no Caribe Oriental

Tempo exíguo

A supervalorização da necessidade de segurança prevaleceu sobre a importância de se alertarem os comandos envolvidos, o que reduziu o tempo destinado ao planejamento das unidades a serem empregadas na operação.

A deterioração da segurança em Granada e a crescente ameaça aos cidadãos norte-americanos na ilha, no entanto, motivaram a intensificação dos planejamentos das unidades dos Marines, dos Rangers e dos paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada, convocadas a atuarem na operação, e que contariam com o apoio do grupo do porta-aviões USS Independence, já deslocado para o Caribe Oriental.

Ação em Granada

No dia 25 de outubro de 1983, após uma série de contratempos durante o voo para o seu objetivo, que era a tomada do aeroporto de Point Salines, no extremo sudoeste da ilha, uma companhia do 1ºBatalhão Ranger saltou sobre a pista do aeroporto, a fim de a desobstruir e, consequentemente, permitir os pousos de combate que trariam os reforços do restante dos Rangers e das brigadas da 82ªDivisão, além de garantir o fluxo logístico à operação.

Enquanto isso, Marines do 2ªBatalhão do 8º Regimento foram transportados por helicópteros para a conquista do aeroporto de Pearls, localizado na costa leste da ilha.

Equipes formadas por Forças Especiais do exército e SEALs  da US Navy foram empregadas na região de Saint George’s, capital do país, para resgatar o ex-governador-geral e tomarem locais específicos e assumirem posições-chaves em torno da cidade.

Dificuldades

Nos dias seguintes, os Rangers, Marines, paraquedistas e elementos do Comando de Operações Especiais viram-se envolvidos nos combates contra as precárias forças locais e, principalmente, contra cubanos que se encontravam na ilha, no valor de um batalhão. Além de ampliar as cabeças-de ponte estabelecidas, eliminar as resistências de granadinos e cubanos, era imperativo localizar e  resgatar os estudantes americanos.

Falta de dados de Inteligência; carência de mapas; dificuldades de comunicação e  coordenação entre o Exército e a Marinha, e entre os Marines e o Exército; dificuldades de reabastecimento logístico, causados pela prioridade dada ao desembarque de sucessivas brigadas da 82ª Divisão; tudo contribuiu para o desacerto inicial da operação, que foi superado pela conduta de comandantes locais, por improvisações e pelo espírito militar dos combatentes.

Soldados americanos em ação, em Granada – 1983

Missão cumprida

Ao final do dia 28 de outubro, o quarto dia da operação denominada Urgent Fury, as resistências já haviam sido debeladas, as novas lideranças locais já haviam sido recolocadas, os eventuais líderes remanescentes do regime deposto haviam sido presos e, os estudantes norte-americanos, levados em segurança para casa.

Os cubanos capturados foram repatriados para o seu país e os arsenais repletos de armas e munições encontrados, provavelmente a serem usados na expansão da revolução pelas américas central e do sul, devidamente recolhidos.

Uma pequena força, composta por cerca de 300 soldados de países caribenhos, permaneceu no país, a fim de cooperar com a manutenção da ordem.

Lições aprendidas

O principal motivo das dificuldades encontradas no campo de batalha, em Granada, foi o acionamento imediato, que limitou sobremaneira o tempo disponível para o planejamento e o preparo dos comandos e unidades envolvidas.

No entanto, as várias lições aprendidas nessa brevíssima campanha, principalmente no que concerne à condução de operações conjuntas, resultaram em medidas que vieram a aperfeiçoar o emprego das Forças Armadas norte-americanas em operações bem mais complexas, no futuro. Tais aprendizados foram materializados pelo Ato de Reorganização do Departamento de Defesa, assinado por Reagan, em 1° de outubro de 1986.

Operation Urgent Fury

Confira os detalhes dessa esquecida e pouco conhecida operação militar empreendida pelos EUA, a primeira após a Guerra do Vietnã e que se tornou um verdadeiro teste para a determinação de suas Forças Armadas, nos últimos anos da Guerra Fria.

Não deixe de ler.

Versão extrato:

OPERATION URGENT FURY (LINK AQUI)

Richard W. Stewart (org)

US Army Center of Military History

Washington, DC – 2013

Operation Urgent Fury

Versão completa:

THE RUCKSACK WAR: US ARMY OPERATIONAL LOGISTICS IN GRENADA, OCTOBER-NOVEMBER 1983 (LINK AQUI)

Edgar F. Raines

US Army Center of Military History

Washington, DC – 2016

Disponíveis apenas no idioma inglês, na AMAZON.

The Rucksack War

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