The American Civil War

The American Civil War – a Visual History” é um livro ilustrado sobre a Guerra Civil dos Estados Unidos da América, também conhecida como a “Guerra de Secessão”. Nessa cruenta luta intestina, opuseram-se alguns estados do sul, que formaram a “Confederação”, e os estados do norte, que passaram a ser conhecidos como a “União”.

Robert Lee – Comandante Confederado

Longe de ser uma obra que apenas desfila ilustrações e fotografias, trata-se de uma rica fonte de consulta sobre os turbulentos anos do conflito que cindiu a América, deixando marcas profundas em sua sociedade, que se estenderam até as décadas finais do século vinte e que ainda é motivo de muito estudo e  reflexão, sobre as suas raízes e consequências.

Linha do tempo

O livro apresenta a Guerra Civil por meio de uma linha do tempo, iniciando-a com os anos que precederam o conflito, desde a independência até a expansão da jovem nação, que se sustentava em uma “união imperfeita” de estados. Nesses anos de consolidação, houve não apenas um aumento territorial expressivo, como também um crescimento populacional jamais visto em tão pouco tempo.

Os Estados Unidos passaram de uma formação de colônias na costa atlântica para um país de dimensões continentais, abrigando populações de origens diversas, sujeitas a fatores regionais específicos, gerando visões opostas e conflitantes, como a questão da escravidão.

Essas condições pregressas, que formaram o cadinho onde se forjaria a secessão, e a guerra, são mostrados ao leitor nos primeiros capítulos, terminando com a eleição de Abraham Lincoln.

1861 – a eclosão da guerra

Na segunda parte, é abordado o primeiro ano da guerra, com a dissolução da União e a formação da Confederação; o ataque ao Fort Sumter, na Carolina do Sul, em 12 de abril de 1861; a reunião dos exércitos oponentes; a primeira grande batalha da guerra, em Manassas (Bull Run); o bloqueio naval do sul; e a tentativa da confederação em obter apoio da Europa, em particular da Grã Bretanha.

1862 – choques de exércitos

O ano em que grandes formações se enfrentaram, causando grandes baixas, ditando o ritmo e antevendo o destino trágico daquele conflito é exposto na terceira parte da obra.

As batalhas de Shiloh, a campanha de Stonewall Jackson, o segundo confronto de Bull Run, a invasão do norte por Lee, a carnificina em Antietam, a contraofensiva de Burnside, a luta no oeste, a invasão de Bragg ao Kentucky, tudo é explorado nesse segundo ano da guerra,

Ulysses Grant – Comandante da União

1863 – a União se segura

No terceiro ano da guerra, o livro explica como a União conteve a maré sulista e adquiriu as condições para derrotar a Confederação. São apresentados a emancipação dos escravos por Lincoln; a política de aceitação do alistamento de afro-americanos nas fileiras do Exército da União; a batalha de Chancellorsville, com a morte de Jackson; a batalha decisiva em Gettysburg; as campanhas de Vicksburg, Chickamauga e Chatanooga; e as operações no território indígena e no Texas.

1864 – Grant, Sherman e a guerra total

Esta parte do livro retrata a série de batalhas que consolidariam a vitória do Norte, durante esse ano. A luta é levada às cidades do Sul, e assume um caráter de Guerra Total.

O duelo entre Grant e Lee é explorado. Em detalhes, são apresentadas as campanhas de Wilderness; a manobra de Grant em direção à Richmond; a batalha de Cold Harbor; o cerco de Petersburg; as batalhas navais e as operações no Rio Mississipi; a destruição de Atlanta por Sherman e sua famosa marcha para o mar, até Savannah; e a vitória das tropas da União em Nashville.

1865 – colapso da Confederação

A penetração de Sherman nas Carolinas e no Alabama e as quedas de Petersburg e Richmond, capital confederada, levam à exaustão da Confederação, o que levaria à rendição de Lee em Appomatox Court House. Esses eventos, assim como o assassinato de Lincoln e  a assunção da Presidência dos EUA por Andrew Jackson compõem essa penúltima parte da obra.

 

1865 – 1877 – legados da guerra

Na última parte, o livro aborda questões como os custos da guerra, a política de reconstrução, em meio à crise política  provocada pela tentativa de impeachment do sucessor de Lincoln, a “redenção” do Sul e o fim da reconstrução.

Nas páginas finais, a obra expõe as lembranças e marcas deixadas pela guerra na memória da nação americana, e como ela lidou com essa herança, através dos tempos.

A seguir, são apresentados os sítios históricos preservados em vários estados, desde fortificações, cemitérios, campos de batalha, estátuas, memoriais e museus. Locais como a casa que sediou a rendição de Lee, em Appomatox Court House, campos de batalha, como Antietam e Gettysburg, dentre outros, são parques nacionais e mantém visitações regulares e até reencenações das batalhas que lá aconteceram.

The American Civil War – visualmente completo

É uma obra perfeita para o entendimento das origens do conflito e do seu desenvolvimento ao longo do tempo. Porém, como enfatiza a experiência visual, serve como excelente complemento aos leitores que desejarem se aprofundar nas estratégias empregadas pelos generais de ambos os lados e nas táticas aplicadas em cada uma das muitas batalhas da Guerra de Secessão.

A riqueza deste livro está na variedade e qualidade dos recursos visuais oferecidos ao leitor. Cada batalha, personagem, acontecimento político e assuntos diversos relativos à guerra são inseridos na linha do tempo e apresentados por meio de textos explicativos, fotografias, mapas, infográficos, ilustrações, reprodução de cartazes, panfletos, pinturas e textos em destaques.

A obra explora a iconografia da guerra, ao apresentar as bandeiras utilizadas, as armas empregadas, os uniformes dos contendores, os equipamentos médicos, dentre outras peças e materiais que marcaram a época.

Apesar de pretender contar a história daquele evento por meios visuais, os mais diversos aspectos da guerra também são abordados com textos de qualidade, que exploram temas como a fotografia, fazendo daquela guerra uma das primeiras a serem cobertas com o uso dessa tecnologia; a ferrovia, vital para o deslocamento de tropas e de meios logísticos; as comunicações, com o uso do telégrafo; a evolução dos armamentos, como a metralhadora; o uso de balões para observação do inimigo; a evolução dos navios de guerra; as evoluções das técnicas e táticas empregadas pela Infantaria, Cavalaria e Artilharia; a questão dos prisioneiros de guerra; o emprego da espionagem  e de meios e criptografia de mensagens; os serviços médicos; e a questão da logística e seu impacto no resultado das batalhas.

Vários outros assuntos, como biografias dos principais líderes militares e políticos, e relatos de testemunhas das principais batalhas da guerra também constam do livro.

Por essa abrangência, riqueza de detalhes e apurados meios visuais, recomendo fortemente esse livro, para uma compreensão geral desse importante conflito que marcou a história do século XIX.

Curiosidade I

As batalhas da Guerra Civil Americana receberam a duas denominações diferentes, na maioria dos casos.

É o caso da Batalha de Manassas (estação ferroviária), por exemplo, também conhecida como Bull Run (riacho). Antietam também é conhecida como Sharpsburg.

Isso se explica pelo fato de os nortistas referirem-se aos acidentes naturais próximos aos locais da batalhas, como rios, córregos, vales, montanhas ou florestas. Já os sulistas, preferiam nomeá-las com base nas cidades próximas ou qualquer outra referência, como fazenda, igreja, construção, estruturas levantadas pelos homens.

Curiosidade II

Ulysses Grant, o general que levou a União à vitória, e que seria, mais tarde, eleito o 18° presidente dos EUA, não se chamava, realmente, Ulysses S. (Simpson) Grant. Seu nome fora erroneamente grafado ao entrar na Academia Militar de West Point. O original era Hiram Ulysses Grant. No entanto, ele decidiu manter o “novo” nome recebido na Academia.

THE AMERICAN CIVIL WAR

Dorling Kindersley Limited (DK) – Penguin Random House

London – 2015

Disponível somente no idioma inglês, na AMAZON (Link AQUI)

The American Civil War

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